100 anos de Bat Mitsvá – Uma trajetória de empoderamento

Há exatos 100 anos, em Nova York (EUA), acontecia uma cerimônia que daria início a grandes mudanças sobre a posição das mulheres na vida judaica.

Judith Kaplan , aos doze anos, tornou-se a primeira americana a celebrar um Bat Mitsvá em 18 de março de 1922. Judith era a filha mais velha do rabino Mordecai Kaplan, o fundador do judaísmo reconstrucionista. Acreditando que as meninas deveriam ter as mesmas oportunidades religiosas que seus irmãos, o rabino Kaplan providenciou que sua filha participasse em um momento da liturgia na manhã de Shabat em sua sinagoga, a Society for the Advancement of Judaism.

A própria Judith Kaplan não leu o rolo da Torá, como fazem as modernas celebrantes de Bat Mitsvá; em vez disso, ela leu uma passagem em hebraico e inglês de um Chumash impresso após o serviço regular da Torá. Ainda assim, a inovação do rabino Kaplan ganhou seguidores. No final do século 20, em quase todas as congregações não-ortodoxas, as meninas celebravam sua maioridade como bnot mitsvá através das mesmas cerimônias que seus irmãos experimentavam.

“O serviço prosseguiu como de costume, através de Shacharit, e através da leitura da Torá. Papai foi chamado para a honra de ler o maftir, a última seção da leitura da Torá. Quando terminamos a haftará (…) fui sinalizada para dar um passo à frente para um lugar abaixo da bimá, a uma distância muito respeitável do rolo da Torá, que já havia sido enrolado e vestido em seu manto. Pronunciei a primeira bênção e, do meu próprio Chumash, li a seleção que meu pai havia escolhido para mim, continuei com a leitura da tradução em inglês e concluí com a brachá de encerramento. Era isso. O rolo foi devolvido à arca com cântico e procissão, e o serviço foi retomado. Nenhum trovão soou, e nenhum raio caiu. A instituição do bat mitzvá havia nascido sem incidentes, e o resto do dia foi de regozijo.” – Judith compartilha impressões de sua experiência de bat mitsvá no livro The Book of the Jewish Life (UAHC Press).

Há evidências de que algum reconhecimento do Bat Mitsvá já havia surgido no final de 1800 e início de 1900 em comunidades judaicas tradicionais em partes da Europa e no Império Otomano, de acordo com o The Jewish Women’s Archive. O que deu importância a longo prazo ao momento de Judith Kaplan foi que a cultura americana apoiou a transformação desse começo hesitante em uma mudança sincera.

Atualmente, não se pode pensar na experiência de vida feminina nas congregações judaicas sem uma cerimônia de Bat Mitsvá. E cada vez mais, não só a posição da mulher na vida judaica, mas as questões de gênero como um todo vem sido discutidas e colocadas nas nossas liturgias para o desenvolvimento contínuo de um judaísmo em que possamos nos enxergar, desde as palavras que pronunciamos nas tefilot até nas posições em que nos oferecemos para contribuir para a experiência judaica de nossas comunidades.