Regresso a Londres: O Seminário Wilkenfeld de 2026 e o que significa liderar cem anos depois

Em junho de 2026, Londres recebeu mulheres judias progressistas de 12 países para a 4ª edição do Seminário Internacional de Liderança Feminina Wilkenfeld.

A turma de 2026 reuniu integrantes de comunidades de quatro continentes: Brasil, China, Guatemala, Hungria, Israel, Itália, Lituânia, África do Sul, Países Baixos, Uganda e Reino Unido. Embora o alcance geográfico tenha se ampliado, a missão continua a mesma: fortalecer o papel das mulheres em suas próprias comunidades judaicas, conectar-nos à WRJ, à WUPJ e ao movimento reformista/progressista mundial, e oferecer as ferramentas necessárias para promover o crescimento do judaísmo em todo o mundo.

A cidade também sediou a conferência Darkeinu da EUPJ/WUPJ, uma celebração do centenário da União Mundial para o Judaísmo Progressista, fundada justamente ali, em 1926, por Lily Montagu e Claude Montefiore. O Seminário Wilkenfeld também fazia parte desse simbolismo ao completar 10 anos desde sua primeira edição, em 2016. Assim, voltar a Londres não foi apenas uma questão logística, mas um gesto carregado de significado. Tudo começou ali, e foi ali que retornamos para celebrar uma década de mulheres que — inspiradas pela visão de Dolores K. Wilkenfeld, ex-presidente da WRJ — acreditam que o judaísmo se torna mais rico quando as mulheres lideram.

Guiadas por Sally Klein-Katz, aprendemos a importância de estabelecer objetivos concretos e uma visão pessoal clara: o “porquê” por trás de nossos projetos. Sally conduziu as sessões com extraordinária sensibilidade; apresentou um exercício marcante sobre escuta ativa e, sempre que possível, nos lembrou de que nossos projetos são construídos sobre pessoas e que o mais importante é como fazemos os outros se sentirem. Enquanto fortalecíamos nossas conexões e desenvolvíamos uma liderança com perspectiva feminina, cada participante chegou ao seminário com uma proposta de projeto para implementar em sua própria comunidade.

Em apenas três dias, construímos laços profundos e uma irmandade que nos acompanhará por muito tempo, além de adquirirmos recursos para continuar fortalecendo a liderança feminina ao redor do mundo.

O judaísmo progressista na América Latina tem muito a oferecer. Nesta edição de 2026, Raquel, de Brasília, e Esther, da Guatemala, representaram a América Latina, marcando a primeira participação da Guatemala e a segunda do Brasil.

Esther Hernández

“Esta foi minha primeira oportunidade de compartilhar um espaço cercada exclusivamente por mulheres extraordinárias, líderes ativas e com papéis fundamentais em suas respectivas comunidades. Mais do que o aprendizado teórico, o mais valioso foi conectar-me profundamente com seus ideais, sua visão e suas aspirações de transformação.”

Raquel Fernández

“Um momento que ficou gravado em minha memória foi o exercício de apresentar nosso ‘porquê’ em apenas um minuto: uma proposta simples, mas reveladora na prática. Quando você dispõe de sessenta segundos para expressar o que é mais importante, descobre aquilo em que realmente acredita. As histórias compartilhadas na sala foram o coração do seminário. Embora viéssemos de contextos muito diferentes, logo percebemos que muitos dos desafios enfrentados por nossas comunidades são universais.”

Fortalecer a liderança feminina na América Latina é um trabalho de todas, e este seminário ofereceu ferramentas valiosas para tornar isso possível.